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27 setembro, 2008

Da Beleza na Rotina...

Por Cau Alexandre


Rotina: 1.Caminho já percorrido e conhecido, em geral trilhado maquinalmente; rotineira. 2. Seqüência de atos ou procedimentos que se observa pela força do hábito; rotineira. 3. Fig. Uso, prática, norma geral de procedimento; ramerrão, rotineira:

Levante a primeira pedra quem um dia já não encheu a boca e usou o chavão: "Eu odeio rotina"! Levante, mas não jogue... porque quem não disse, pensou (e aqui não temos lugar para hipócritas metidos, não é? Só para as hipocrisias convencionais, pois de certas máscaras não conseguimos fugir).

Qual não foi minha surpresa quando há uns anos atrás, sentada no café da Pinacoteca de São Paulo, de frente ao Parque da Luz, percebi que aquele “museu” de arte aberto, em forma de parque, apinhado de obras, esculturas, frases, exalando arte, era não só ignorado pelos transeuntes, como também inexistente aos olhos dos que sucumbiram à obscuridade da rotina. Mas e se eles vissem? E se em um momento desses eles parassem e olhassem ao redor e vissem aonde estava, e percebessem que estavam rodeados de beleza, descoberta e vida, será que eles sentir-se-iam saindo de uma câmara de hibernação? Dia após dia

Será que percebemos que pode haver beleza na rotina?

Mas o que acontece é que temos medo de cair na rotina maçante, que retina dos nosso olhos o brilho das pequenas ações que fazem de nós o que somos, que pontuam aquilo que gostamos, que obscurecem a beleza da vida cotidiana. Loucura? Maluquice? Vejamos um exemplo banal. Diga-me: Quantas vezes você já escovou os dentes saboreando o momento, sentindo o frescor do creme dental na ponta da língua, o doce prazer matinal de sentir os dentes limpinhos? Faz tempo que não? Certamente ou você não escova os dentes há muito tempo (ecaaaaaaaaaaaaaaa) ou você simplesmente aderiu a rotina da escovação, fazendo dela parte do seu dia e usufruindo dos benefícios que ela traz, às vezes, sem ao menos conseguir lembrar do momento em questão.

A questão é, há beleza na rotina, quando ela é percebida!

Você consegue perceber a beleza do dia-a-dia? Ou pra você um dia só é realmente bom quando você tem que re-estabelecer lugares, horários e formas para todas as coisas, inclusive para você?

Sim, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, mas eu também sou em cada ação que leva minha vida a ser o que é, hoje, agora. Talvez o que falte não seja a fuga da monstruosa rotina, talvez o que falte sejam olhos que, desanuviados, percebam a beleza de se viver todos os dias, de se olhar a beleza diária do sol que há milhares de anos faz o mesmo percurso e ainda nos emociona, na aurora ou no ocaso. Ou da Lua, que continuamente está lá, ainda redonda e brilhante, aparecendo e indo embora, nos mesmo horários, e até hoje ainda é tema e inspiração para poetas e loucos apaixonados.

Sim, há beleza na rotina. Porque a beleza não transforma somente a matéria... ela transforma o seu modo de ver, ela transforma você! Já transformou-se hoje?

A arte de viver é a arte de perceber o belo em mim e em você! Você consegue ver?



*Campanha publicitária da Natura. Produzida pela agência Taterka e copiado do Youtube
Confere o Texto de Arnaldo Antunes (?) no Mar®


Vai outro café?

15 setembro, 2008

Minhas Impaciências... (ou dos meus frios invernos de alma)

Por Cau Alexandre


Impacientemente leio as linhas que me são enviadas e a vontade que tenho é de nada ler. Nem escrever... Impaciência.

Impacientemente sei que não era aqui que eu queria estar, nem mesmo era esse meu dia de respirar. Que saudade sinto da minha cama... que vontade alucinada de hibernar e só acordar quando o frio desse meu inverno passar.

Isso é complicado para quem habituou-se a um perene verão, com calor aconchegante que envolve a alma e as letras.

Esvazio-me de mim porque não me suporto hoje. Não quero me olhar nos olhos, não quero encarar meus pensamentos... prefiro dormir um sono que me anestesie a vida, que me jogue na inércia a minha mente inquieta. Na inécia já não precisamos pensar e hoje é disso que preciso, não quero pensar.

Preciso de um espaço vazio em mim pra simplesmente não sentir nada. Nem essa impaciência que hoje me consome.

Não quero falar, nem gritar, nem andar, nem pular, nem lê-lo... não quero sentir, não quero chorar, não quero absolutamente nada além do ócio inerte me consumindo os ossos, fazendo-se sentir na pele, refletido na íris, exalando de mim como aviso de "não se aproxime". Hoje eu não estou sociável.

Hoje eu quero somente o direito de inexistir.


Não fiz café...
Quem quiser que traga sua xícara de casa hoje!

09 setembro, 2008

Das coisas que não entendemos...

Por Cau Alexandre

Um sufoco!

Aquele aperto que tira o fôlego. Quem sabe onde? Quem sabe no coração? Quem sabe na mente? Talvez seja só a ânsia de por um momento conseguir dobrar em palavras tudo aquilo que vai no pensamento perdido.

Talvez, seja o suspiro da memória que não quer permitir verbalizar uma última lembrança, para que essa não voe com o vento para longe... além... muito além do infinito.

Há palavras que nunca deveriam ser ditas. Há verdades que deveriam ser escondidas a sete chaves, no mais profundo baú do subconsciente, para que de lá jamais pudessem sair.

Mas quem resiste uma palavra pulsante? Quem contém a palavra que grita ser verdade e incomoda até os ossos rasgando todo véu de consciência e dizendo-se no direito de existir e de ser VERBO?

Quem sufoca as sonoras letras que se arrumam cheias de adjetivos e floreios, mas que na ânsia do nascimento perdem todo o desenho para se permitirem nuas, cruas e verdadeiras, emolduradas de sangue e lágrimas como que saídas de um parto difícil em busca da luz da liberdade de simplesmente existirem além de nós mesmos.

Quem sabe se a agonia não é a dor de sentir as nossas certezas nos abandonarem e num misto de todos os sentimentos nos sentimos órfãos das verdades que parimos e criamos pela vida toda, aninhando-as como filhas dentro de nós por tempos e tempos a fio, sem deixá-las vê-las a claridade do conhecimento alheio.

E nesse momento sentimos um aperto vazio. A dilacerante dor da certeza que algumas coisas na vida jamais devem ser ditas, entendidas ou explicadas. Apenas sentidas em silêncio por uma das partes para que a outra possa seguir livre sem rumo voando em suas próprias ilusões.

Pois o que a recente verdade nascida da agonia de existir não entende é que alguns de nós só tem a ilusão para se alimentar!

E depois que já não há mais o que fazer, quando dizemos tudo e já não há retorno, aprendemos a calar... Pois agora "escuto o silêncio que há em mim e basta"...







Até outro café...

04 setembro, 2008

Atitudes...

Por Cau Alexandre

Algumas vezes em nossas vidas, estamos absolutamente certos de que determinadas ações são as mais adequadas e corretas para aquele momento.


Muitas dessas ações são marcadas por momentos imponderados ou, ao contrario, por ponderações baseadas nas nossas próprias “achismos” que estão alicerçados nos nossos conhecimentos parciais do que seja a vida e algumas vezes nas nossas raivas e frustrações.
Mas você me pergunta; “E como vou saber se a atitude a ser tomada é ou não certa?”


Não é algo fácil, eu sei, mas também não é impossível. Basta olhar as outras possibilidades que vão alem de você, externamente além.


Geralmente decisões que ao longo do tempo mostram-se mais eficazes são aquelas que não ferem, não magoam, não acusam, não difamam, porque são baseadas não na vontade egoísta de que a toma, mas no respeito por si e pelo o outro. Como conseguir tal feito? Olhando além da minha própria vontade, além da minha própria dor, além da ferida da minha alma e decidindo tomar o melhor caminho, não só para mim mesma, mas também para todos os envolvidos.


Altruísmo exagerado? Angelical bondade? Não... isso é a simples consciência de si mesmo e da árdua tarefa de conviver com todas as outras pessoas do mundo que passam por nós todos os dias de nossa vida. A mesma consciência que garante saúde para alma e descanso ao espírito.


Decidir por algo que me beneficia e magoa outrem é o mais fácil, uma pena que crie feridas em ambas as almas, porque não tem poder reparador. Bater porque apanho é simples, mas não alivia a dor da pancada. Decidir por algo que dá uma rápida sensação de vitória e superioridade, mas que não me traz paz, pode parecer revigorante numa hora de raiva, mas será sempre uma sombra de dor, a lembrança do que me fez chorar e à qual eu não fui capaz de vencer e superar verdadeiramente, pois depois vou perceber que só consegui enganar a mim, pois essa sombra jamais me deixará ver um caminho novo.


Afastar-me do que me dói, usando lanças pontiagudas para ferir meu opressor só faz de mim um outro opressor, momentaneamente acuado e sem saída. Afastar-me do que me dói dignamente, de cabeça erguida e olhando em frente, ao menos me refrigera o coração e me dá a certeza de que eu continuo vendo o horizonte, apesar de tudo. É pouco? E quem fecha o coração tem muito?


As verdadeiras atitudes vêm de mãos que não temem perdoar, de olhos que vislumbram o bem a si e aos outros, mesmo que no caminho seja necessário a separação silenciosa e coerente, que traz consigo a honra da liberdade conquistada através da verdade e da paz de espírito. Do amor por si mesmo e por sua sanidade e paz. E também amor superior por aqueles que nem sabem o que isso quer dizer.
...Até outro café... e muito mais prosa!