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13 outubro, 2008

Das Minhas Pictóricas Formas de Ser

Por Cau Alexandre


Sou um borrão...

Daqueles em que se tentou escrever, ou que se escreveu enquanto se fazia outras coisas.Desenhos do inconsciente, flores, bolinhas, bichinhos informes, riscos, números e letras... muitas letras...

Sentimentos adversos transmitidos direto do porão da alma. Cores variadas, tons que se alternam, furta-cor... Alternâncias conforme o dia, a hora, a luz... E para cada sentimento uma nova visão, como um borrão de Rorschach.

O que sentes ao olhar pra mim? O que eu consigo extrair de você? Alegria, raiva, angústia, amor, incredulidade, fé, força, cansaço, desgaste, sorrisos, saudade, tristezas, uma doce felicidade?

Somos assim, somos aquilo que conseguimos mover, remover, revolver, mexer nos outros... inesquecíveis, marcantes, impressão de ferro em brasa, tatuagem na lembrança.

Sou muitas e sou uma, sou uma e não sou ninguém, sou nada e sou tudo...

Como um quadro de Seurat, muitos pontos em cores primárias e na misturam um colorido quase surreal.

Por vezes sou troncha, torta, derretida e psicodélica como um quadro de Dali.

Quando me despedaço, viro mil, como espelho que se quebra, como os pedaços em uma tela de Picasso.

Grande, pequena, disforme, determinada, imperceptível, conhecida, sombria ou invisível.

Quem eu sou? Não, não é essa a pergunta... Como eu sou hoje? Esse é o infinito questionamento de hoje e sempre.

A resposta? Não a resposta eu não sei, e não animo ninguém a tentar me definir. Há na busca um doce e melhor saber, quem sabe mergulhar nesse poço de indefinições do meu ser... Já não tem graça saber quem eu sou... Pois espero humildemente que hoje, em você, eu seja um sorriso...


Um café preguiçoso hoje...