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16 novembro, 2008

Flores, amores e blá, blá, blá...

Por Cau Alexandre

Sentimos, é fato. "Sentimos muito" quando erramos? Sentimos mais quando estamos longe? Sentimos até quando não temos mais porque sentir.
Sentimos, sempre e cada vez mais enquanto nos permitimos sentir.
O mundo é um lugar estranho. Passamos a vida procurando algo maior e melhor para sentirmos, tão grande que nos faça perder o fôlego, tão maravilhoso que nos faça acreditar que ainda vale a pena. Queremos um sentimento maior que nós... Queremos amar... Queremos um amor maior!
E um belo dia, achamos alguém que nos olha com tanta certeza disso que nos faz tremer na base. Que nos toca com tanta delicadeza que é capaz de ultrapassar a pela e ir direto ao sistema nervoso, fazendo-nos ter arrepios insanos, espasmos imperceptíveis aos olhos nus, mas completamente tácteis. Amamos. Amamos. Yupiiiiii... Amamos.
E nada mais queremos além desse amor. Alimentamos-nos dele, o respiramos, bebemos dele, sentimos...
Quando estamos juntos as coisas ao redor parecem perder o sentido, caso não sejam com ele, por ele e para ele. Sem ele nada tem sentido ou será que é porque com ele reside o sentido de todas as coisas. Uma epifania ambulante transfigurada em pessoa: O ser amado!
O sangue ferve, os olhos brilham, a respiração acelera e tudo isso com um olhar, um toque. Seu sorriso tem mais que luz, seu beijo mais que sabor, suas mãos mais que delicadeza... Em você uma explosão de sentimentos que te fazem delirar.
O beijo de quem se ama é doce, tem um gosto de néctar dos deuses que ninguém sabe explicar. Definitivamente é o Olimpo na terra. Tocar o ser amado é uma viagem ao paraíso. Senti-lo é transcender o inimaginável paraíso... Sangri-lah. Unir-se a ele é a experiência mais instigadora, extasiadora, devastadoramente emocionante que o mundo pode nos proporcionar.
Paixão... amor... tesão... desejo. Infinito de sentimentos que anestesiam a dureza da vida.
Mas, em um negro dia tudo é empurrado pra debaixo do tapete e dizemos: Te odeio!
Sentir?
E o amor, a veneração, o êxtase, a doce certeza de desejo e adoração apagaram-se?
As flores do mal exalam um perfume tão mortal que matam até o sentir?
Ontem te amei... hoje te odeio.
Que raio de seres incoerentes somo nós, ó raça humana?
Pequena e frágil humanidade que sente.
Ainda sentimos. Está tudo lá, mas o que realmente sentimos? Que estranhos sentimentos esses que nos invadem e nos fazem praguejar antes e depois do nome nefasto do ser que nos deixou? Que insanos pensamentos esses que nos invadem, juntamente com uma vontade devastadora de reerguer a Bastilha e lá pôr ainda mais “brinquedinhos” de tortura para aquele ser infeliz? Quem sabe realmente bom seria uma passagem rápida para a guilhotina? O que leva-nos, você e eu, a amarmos tanto até sentir prazer em ferir, ferir esse amor que um dia tomou conta de nós? Amar? Não... odiar... por favor! Ou será ainda amor?!
Enlouqueci, destoei, sai do tema? Não.
É, na verdade o amor permanece. Mesmo em meio a essa loucura de sentimentos contraditórios, o intenso amor ainda permanece.
O que dói é o fato de tanto amor não ser capaz de atar aquele ser a quem queremos. Amarra-lo a nós. Prende-lo. E, no fim, todos nós sem exceção sentimos isso... O que nos difere é o que fazemos diante desse sentimento.
Não é de hoje que lemos, vemos e sentimos as loucuras e atrocidades feitas em nome de um amor "findo". A recusa e a rejeição desse tamanho sentimento. Amantes, já loucos e insanos em suas frases de amor eterno, irados a ranger os dentes e dizer em alto e bom som: Odeio você! Segredos de alcova contados aos quatro ventos, desejo exacerbado e denegrir, envergonhar e impingir a humilhação a esses que cometeram o crime nefasto de não ter amado igual.
Mas sejamos coerentes: Finais doem. E doem pra todos igualmente.
Na verdade, o tal do louco e insano amor ainda está lá, magoado, dolorido, tão intensamente ferido e ainda catando uma resposta aos muitos porquês. Por que fui abandonado (a)? Por que logo eu que o (a) amava tão intensamente? Que explicação haverá? Por quê? Por quê? Por quê?
E é nesse ponto que tomamos as decisões que nos transformam em assassinos ou em seres humano que sentem, choram, reagem e superam.
Odiando, mantemos perto aquilo que se tornou grande demais pra nós, mas ao qual não temos coragem de continuar amando, porque o/a @#&¨$%*%!+&% nos abandonou. Porque ele/ela não merece nosso tão lindo, tão grande, tão intenso amor. Mas ainda sentimos, ainda está lá... Odiemos então e permaneçamos sentindo, mesmo que dessa forma doentia? Vale a pena reter a quem se ama, mesmo que seja em dias e noites de ódio perene?
Ao longo dos anos, aprendi que o fim dos relacionamentos não destrói o amor que senti. Continuei amando, até o dia que os sentimentos foram devidamente guardados no banco das minhas doces lembranças, lá, junto com minhas memórias infantis, os dias de verão à beira mar, os banhos de chuva na rua, o frio da noite na serra, o primeiro beijo, a primeira lágrima de amor... todos lá. Doloridos, alegres, tristes, inesquecíveis... Sentidos e guardados.
O que é duro mesmo é que não é que ele/ela não te ame mais... Não é porque você é ou deixou de ser... mas há um tempo para tudo e para cada um de nós? Determinista? Não... realista! Enquanto estiver no meu tempo, faço dele o melhor tempo possível até não mais ser o tempo!
Findou-se o relacionamento, o que fazer agora? Odiá-lo? Consumir-se em ódio, raiva e planos maquiavélicos de como obriga-lo(a) a amar você novamente? E quem disse que os relacionamentos acabam porque o amor acabou?
O que fazer com esse tão grande, tão intenso, tão imenso amor? Ame simplesmente... "O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem" (Exupéry). O que vai perdemos? Algumas noites doloridas, uns dias sem graça e sem vontade de sorrir, uns dois bons filmes no cinema, um pouco da audição e uma faixa em um cd de tanto que vai ouvir a mesma música no último volume... uma paquera... e só! O que ganhamos? Mais amor...
Depois a vida retorna a cor... os dias voltam a ter 24h, as pessoas voltam a te fazer rir, os filmes ficam interessantes, as músicas voltam a "falar" com você, e as paqueras passam a ter uma promessa de amor, um algo maior, melhor, tão grande que nos fará perder o fôlego, tão maravilhoso que nos fará acreditar que ainda vale a pena sentir. Será um sentimento maior que nós... Pois queremos amar... Queremos um amor maior!


Até outro cafezinho... sentimental.

06 novembro, 2008

Coroa de Louros...

"Sucesso é passar de falhanço em falhanço sem perder o entusiasmo" (Winston Churchil)


Por Cau Alexandre

Vitórias? Tantas ou tão poucas... Derrotas? As por W.O. Contam?
Na vida aprendemos melhor a perder do que ganhar. Não porque as vitórias sejam poucas, mas talvez porque se tenha medo do inseto da soberba que alcança alguns vitoriosos.
Mas não se enganem, é doce o sabor das vitórias, embora o real vencedor seja aquela que não se abale quando não o tenha. Não se vence sempre... se assim o fora que graça teria a competição?
Vitórias e derrotas não deveriam abalar a estrutura interna que nos forma. O que deveria abalar era a insensilidade de quem diz querer mas não quer. De quem pensa somente em si esquecendo que todos somos formados da mesma matéria: carne, sangue e sentimentos. O que deveria abalar era a extrema sensibilidade de uns que consomem a própria vida pensando unicamente nos outros e não em si. O que deveria abalar era a falta de equilíbrio. O que deveria abalar era o dia de ontem que não foi vivido e o amanhã que é esquecido, desistido. Mas perder ou ganhar? Não... perder não devia abalar. Ganhar não devia mudar um ser.
Assim são os fortes... Não se abalam. Sou forte? Não, sou aprendiz. E vejo as histórias indo e vindo diante de mim. E no fim, eu conheço as histórias, porque a eternidade é meu tempo. O infinito é minha idade e a humanida, bom, essa não muda nunca.
Por isso, o que realmente chama atenção não são os valorosos vencedores, mas aqueles que não desistem. Gente insana e com tantos defeitos que é completamente incapaz de desistir da milhonézima chance a qual tenha direito.
Eu? Aprendiz... um passo de cada vez, tentando me agarrar as minhas possibilidades, crendo que um dia aprenderei a ser perseverante. Nunca desistindo de viver, nunca esquecendo dos meus muitos defeitos que fazem do meu caminhar um eterno reinventar, pois é no reinventar-se que encontramos o pódio da vida.
Defeitos tenho aos montes. São nos nossos defeitos que somos únicos - jamais encontrarão outra igual a mim. E ter ciência disso me torna ser, existente e consciente. Isso é um acerto de vida! Erro? Somente quando outorgamos a outro alguém a conquista do supremo direito de nos dizer aonde ir. Os passos são nossos, com ou sem pódio vitorioso é quem vai, quem vive, quem segue o seu próprio caminho.
Aos vencedores? Parabéns e coroas de louro!
Aos que nunca desistem... a esses sim: A VITÓRIA.
No fim, percebe-se que no pódio os lugares se invertem. Pois quem ganha é quem sai inteiro da luta e não com uma simples coroa de louros!


Agradeço aos vários amigos que tomam um cafezinho conosco... Mais um?