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15 março, 2009

Do amor proposto e recebido...


Por Cau Alexandre




"Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo..." Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, "eu te amo" não quer dizer mais nada. "É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".
(Rubem Alves)


Palavras de amor pouco valem sem amantes que se queiram ardentemente além dos corpos. Não que não sejam necessárias, ou que não tragam um prazer imensurável. Mas se estão vazias, não farão diferença. não chegarão ao amado ou amada. Simplemsnete pairarão. Inspirarão umas músicas, uns poemas, algumas lágrimas e sorrisos... e só!

Segundo Rubem Alves, uma coisa é aquele amor meio morto, no qual já não há ânimo em promover a felicidade do outro: É um jogo de tênis. Outro é o amor que se desenrola na troca, no partilhar. Citando Nietzsche, "as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar".

E cá estamos nós, final de uma tarde de verão, o sol já caindo, o céu muito azul. Uma brisa fresquinha que vem do mar que está calmo, bem tranquilo com aquelas ondas pequeninas, vagas.

E olhando a imensidão, estávamos lá. Cada um no seu pedaço de sonho à beira mar. Olhando a imensidão, sem pensar em nada. Sentindo o momento... Até que um capricho une os caminhos.

Caminhos... quem sabe até vagávamos por aí, imaginando que, talvez, em algum lugar desse universo poderia existir alguém. Alguém que seria a pessoa a partilhar... e que no dia que encontrássemos, reconheceríamos no mesmo instante. Mas ao mesmo tempo, ao imaginar isso, pensávamos que pudesse ser apenas sonho, imaginação, ilusão que a gente gosta de ter, porque faz a vida ficar mais leve...

E voltamos ao caminho, a brisa, ao mar... e ao capricho que une. E quando nos damos conta, estamos então a jogar o tal frescobol. Batendo sonho de cá... sonho de lá. Sem que ninguém queira que a bola caia, ou que o outro desista. É um jogo que se quer perpetuar... abrindo espaços "para que as bolhas de sabão do outro voem livres."

E o que fazemos? Não sei vocês... mas eu adoro esse jogo e sinceramente, nada melhor que jogar assim, levemente e regados com os mais doces sentimentos de cumplicidade dentro deste encantameto que chamamos de vida!!




Juan Luis Guerra - Bachata Rosa




Café passado à quato mãos... como todo bom jogo 'de frescobol'.
Peguem os seus...