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17 junho, 2009

Para Comemorar!




Dia de festa! Nenhum motivo realmente extraordinário... apenas e somente mais um ano dessa fantástica vida que eu ganhei de presente um dia!

Era quarta-feira, quase 18h. Depois de muitas dores e de uma extrema negativa minha em querer abandonar o útero quentinha da minha mãe, timidamente vim para a luz!

Morena, de delicados cabelos castanhos e olhos vivos. Absolutamente chorona (não poderia ser um bom sinal, não é? Permaneço até hoje assim - a salvo a cor dos cabelos).

Mãos delicadas, pés rápidos que segundo minha mãe não sossegavam no seu ventre. Inquietação certa, mas de afago constante.

Nome indeciso... Cristina... Cristiane... Cláudia, para fazer um parzinho! Engraçado mesmo é a sensação de ser única que até hoje me persegue... em vão foi a intenção da minha irmã, segunda mãe, de criar conjuntinhos.

Mãe ansiosa, suplicante, penitente e em promessa... feliz! Pai orgulhoso, viril, idoso... vencedor, regozijante! Irmãos desconfiados... o que fazer com aquela coisinha tão fora de hora?

Mas eu vim! Era noite... e até aqui a certeza que eu continuo, mesmo quando pra todos o dia acaba!

Agora... Bolo e Café! E um bom papo... que não há cristão que aguente festejar pra sempre!

11 junho, 2009

Essa Ilógica Lógica de Amar...

Por Cau Alexandre



Existe uma lógica no amor?! Não, o amor não é algo lógico. Definitivamente não é!

Logicamente deveríamos amar quem se apresenta a nós com qualidades próximas a nossas, não só no geral, mas especificamente. Não bastavam só serem apreciadores das mesmas músicas, as mesmas bandas, os mesmos tipos de filme, os mesmos autores, a mesma visão política. O raio da alma gêmea não tinha que ser 'gêmea'? Alôôôôôô! Dãããã... não é óbvio?!

Respondo: Não, não é!

Esse tipo de alma gêmea finda por ser nosso melhor amigo, tipo irmão, confidente, companheirão... Mas não amor.

O amor é uma força estranhamente desconhecida, fantasmagoricamente inesperada. Mesmo que com o tempo e a convivência aprendamos a partilhar (ou ao menos a respeitar e tolerar) gostos e pensamentos.

Mas antes... Ah! Quantos pensamentos, palavras e ações contraditórias.

Para desespero geral, ele/ela é sempre algo tão absurdamente estranho a nós! Sim... o amor tão estranhamente conhecido e tão absurdamente distante de nós. Se não é o jeito de vestir, o irritante modo de falar, ou a forma de andar, ou a risada, ou a gesticulação, ou o ego, ou parecer um sabe tudo, ou ser meloso, ou ser turrão, ou cabeça dura... Ou... Ou... Ou... Definitivamente irritante... Terrivelmente atraente.

Loucura???? Simmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!

Amor é calmo? Mas ele só se torna de uma solidez calma e rigidamente implacável quando antes passou por uma furiosa e intolerantemente loucura.

Tão louco esse amor que vence nossas defesas, nossos medos, nossas convenções e até nossas certezas.

Tão bom e tão doce que parece dissolver qualquer outra coisa que teime em nos tirar o leve e agradável pensamento do momento no qual estamos com nosso ser amado. Tão obscuramente indecifrável que nós não conseguimos explicar. Algo quase impossível até aos mestres das palavras, que as dobram e as tornam flexíveis... nem assim conseguem explicar esse ilógico amor, talvez tentar descrevê-lo... Com certeza sentir!

E cá pra nós, esse sentir oscila entre o céu e o inferno dos sentidos. Vai da sensação de andar em nuvens ao desespero da morte e da dor. E isso em alguns minutos.

Mas, cá pra nós, mesmo quando o coração se sente aos pedaços, quando se tem a certeza que amar na verdade é dor, raiva tristeza e choro, quando o amor mostra sua face mais escura e nos faz chorar. Quando se faz milhares de promessas de nunca mais amar, de nunca mais deixar que o sentimento nos envolva e nos carregue pelo seu verdejante campo de momentos felizes, se sabe com a força de uma única certeza que jamais, em momento algum, de forma alguma, aquele que ama intensamente jamais abriria mão de amar novamente somente pela certeza que não sofreria. é o tipo de promessa que jamais cumprimos.

Não amar é quase uma desumanidade, mesmo sendo controverso ao que a maioria diz.

Por quê? Porque o amor é essa loucura deliciosa que nos move. Que nos guia, que nos encaminha àquela pequena e às vezes esquecida clareira dos sentidos profundos, dos sentimentos verdadeiros, daquilo que nos faz mais, muito mais humanos.

E em momentos de uma louca e deliciosa falta de censo, sentimos esses mesmo amor nos fazer maiores, melhores, quase deuses num Olimpo particular.

Lógica? Mas que lógica haveria na insanidade de amar?

Mas me responda sinceramente: Quem disse que a vida precisa de mais lógica? Eu só preciso sentir e amar! E que a vida nos seja leve!





Lynden David Hall - All You Need Is Love
Um café mais doce hoje... Até!

04 junho, 2009

Silêncios no Inferno Astral...

Por Cau Alexandre


Inferno Astral! Já ouviu falar? Não sei quem inventou essa joça, mas creia (ou não) há um período bem próximo ao dia em que a vida nos dá mais um dígito no qual tudo parece literalmente cair sobre a sua cabeça. Os ombros carregam o mundo, o mundo te dá as costas, a vida fica descolorida, sua cabeça parece não ter mais rumo certo nem centro (Exagero? Concordo... Mas o que seria de um inferno astral sem uma boa hipérbole?). Eis o seu particular inferno astral. E eu estou no meu.

Pensei no tal inferno de Dante, dor e sofrimento ladeado por uma porta magnífica, como que zombando de você. A última visão da arte e não é à toa que é arte, dor e beleza unidas... Nenhum filósofo discordaria, nenhum poeta romântico ousaria divergir e nem João Cabral de Melo Neto diria diferente. Que dor artística seria maior que viver?

Nos conselhos que se seguem ao fato de se entrar no inferno astral está o de aproveitar os dias turbulentos para pensar na vida, fazer um balanço do ano que se passou, traçar metas, olhar pro futuro. Fala sériooooooooooooooo! No meio da turbulência eu mal consigo alcançar o saquinho pra conter o meu enjôo. Como vou pensar? Meu inferno astral reside justamente no fato de que estou cansada das receitas prontas, da mão no meu ombro dizendo que uma atitude 'pró-ativa' vai ser melhor, que 'até foi bom terminar assim'. Foi bom o escambau! Eu quero ser birrenta e bater o pé. Eu quero espernear como nunca fiz na vida (problema de se ter uma mãe paciente mas muitoooooooo brava e dona da situação... Quando achava porquê espernear, ou ela já tinha resolvido o caso ou simplesmente me fulminava com o olhar que me dizia 'você sabe em que enrascada está se metendo, mocinha?).

O fato é: Inferno astral nenhum vai derrubar minha auto-estima, minha certeza de quem eu sou ou de qual é o meu real valor. Nenhum mal estar cósmico tira de mim o domínio de mim mesma, o direito que me é dado pelas eras de ser exatamente o que eu quero ser. Mas aproveito esse inferno astral pra chorar todas as minhas dores que não têm palavras, os meus amores guardados nos cantinhos da alma. Quero rasgar o meu peito e deixar meu coração a olhos vistos para que vejam como é ser gente de verdade. Aproveito pra derrubar minhas muralhas, despir minhas couraças, pôr por terra as minhas máscaras necessárias e ser só um Ser.

Isso não é tão fácil, primeiro por ser um exercício muito perigoso de autoconhecimento e uma prova muito grande de que se sabe o caminho de volta. Segundo, porque as pessoas ao redor não estão acostumadas a esse tipo de sinceridade para consigo mesmas e vai ter sempre alguém achando que você surtou, enlouqueceu ou está a ponto de se jogar da primeira janela aberta. Talvez porque olhar a si mesmo 'nu' de todas as crostas que carregamos ao longo da vida seja algo tão terrível que uma grande maioria evite... ou não aguentem. E de fato, sei o quanto pode parecer assustador pra alguns e assim sendo termina-se por silenciar, para não assustar os desavisados.

Nesse meu inferno astral não quero traçar planos, nem olhar pra fora, pra longe, pro futuro... Quero olhar pra mim. Quero matar as saudades de mim mesma. Quero lembrar cada lágrima que derramei por amar. Quero rever cada rosto que me fez sorrir, chorar e ter a certeza que eu ainda sou gente de carne, osso e coração.

Estou abrindo meus arquivos, olhando dentro da minha caixa de Pandora, porque se o mal dela já fugiu, quero ver o que bom ficou.

E no final de tudo, quando o tal inferno astral passar, vou sair de dentro de mim mesma. Fechar os arquivos, tampar o baú, dobrar cuidadosamente os rostos e lembranças, sossegar a saudade. Então, com tudo revisitado, limpo, arejado, e pronto a ficar lá, até novamente ser necessário olhar, sairei de mim! Não sei como, não sei se mais forte, mais fraca, mais frágil, mais firme. Mas terei a certeza que posso olhar pra frente, pois nada pode ser mais duro que olhar dentro de si e sobreviver!


Até o próximo cafezinho...