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22 maio, 2011

Eu & Os Colóquios da Morte

Por Cau Alexandre

Do que somos feitos? Carne e ossos? Sentimentos e emoções? Sonhos e decepções? Decisões, escolhas, caminhos?
Somos feitos de tudo isso. Das lições aprendidas com nossos pais e com filhos. Dos livros lidos, das músicas ouvidas, das placas que nos mostravam o caminho, dos muros que nos impediam a passagem. Somos feitos de choros e sorrisos, momentos felizes e tristes, instantes de desespero e profundo prazer. Somos feitos de esperança e lamento, de canto e dor. Somos uma infinidade de partes construídas por pequenos momentos.
Somos o produto do passado embrulhado na esperança do futuro, formados dos pedaços de tudo e de todos que um dia passaram por nós e se foram.
Mas, é bem verdade, que preferimos nos ver na semente do futuro, mas que futuro? O Futuro pelo futuro passou a nossa busca diária, nossa angústia incessante. O que eu vou ser? Onde vou estar? Quem estará lá?

Quando finalmente chegamos ao futuro, ele está tão bem encaixado em nossos modos de vida, projeções, planos de consumo, expectativas pré-fabricadas, que não sabemos o que fazer com ele...  Então projetamos o fim do mundo.
Por quê? Porque somos tão egoístas que não achamos justo nos acabarmos e mesmo assim ainda restar algo, depois de nós... Depois da nossa brilhante passagem por aqui.
O que somos nós a não ser pedaços que ficarão em alguns, pequenas lembranças e cheiros e toques e sons. Seremos nós a ir... mas sempre algo ficará. Sempre renascerá... Sempre!
Apenas não estaremos aqui para ver o futuro recomeçar do caos...


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