Páginas

30 julho, 2012

Palavras, Silêncios, Ações e Entendimentos!


Por Cau Alexandre

Deveríamos falar mais de amor, mas só quando entendêssemos as implicações de amar de verdade.

Quando houvesse sentido em amar apesar de tudo. Quando o amor fosse capaz de superar até a si mesmo e as frustrações humanas.

Deveríamos falar de respeito, mas só quando o nosso umbigo fosse menor que o mundo, e os nossos olhos vissem mais além que a ponta do nosso próprio nariz.

Deveríamos falar de alegria, mas só quando a nossa alegria fosse mais pelo ser do pelo ter. Quando ficássemos alegres pelo pouco, pelo simples, pelo delicado, pelo detalhe quase imperceptível.

Deveríamos falar de saudade quando soubéssemos o valor de conviver com outras pessoa. Quando aprendêssemos a valorizar a companhia e não a solidão. Quando estar com alguém fosse uma dádiva e não uma prisão imposta ao outro pobre e prisioneiro ser.

Deveríamos falar até em ódio, quando soubessem o alcance e o poder real da decisão de perder a alma. Quando tivéssemos certeza que ser mau por pouca coisa não nos torna maus, nos torna tolos. 

Deveríamos falar de liberdade, quando nossa alma fosse livre pra amar, respeitar, se alegrar e ser feliz simplesmente pelo fato de que se pode ser.

Deveríamos cultivar mais ações que palavras, mas nunca deveríamos abandonar as palavras que devem ser ditas, os sentimentos que valem a pena serem sentidos e as nossas verdades mais profundas.

As palavras são de vida, se a vida lhes dá vigor e seiva.

11 julho, 2012

O ESQUECIMENTO PROVIDENCIAL II


(Porque mentes insanas e esquecidas 
nunca param de florescer, infelizmente)




Por Cau Alexandre

Estou eu aqui às voltas com meus pensamentos e ponderações sobre como são as pessoas, como se comportam, como criam as suas máscaras e continuamente acreditam nas mentiras que inventam e repetem tanto a si mesmos essas mentiras, que acabam achando que é verdade.

Lembrei de um texto que escrevi há algum tempo no 'Café®', no qual falava sobre o "Esquecimento Providencial" que alguns seres ditos humanos tendem a ter.

E cá me encontro achando que a ingênua sou eu mesma. Pois esses seres estão aos montes soltos em todas as partes. Políticos e eleitores, Empregadores e empregados, ditos amigos e conhecidos... sempre há aquele que pra tentar justificar a sua própria ação indigna, esquece tudo que fez, para tomar o papel de vítima!

Em recente desentendimento com um senhor, da e na net, me deparei com essa que, deve ser umas das piores facetas de certos seres... a capacidade que eles tem de se autojustificar com o esquecimento de suas próprias ações e de negligenciar as consequências de seus atos. Eles fazem de tudo, dizem, sugerem, provocam e invocam qualquer coisa, menos a verdade e a lembrança dos fatos reais, tão somente para assegurarem a própria "consciência" que estão fazendo a coisa certa... A coisa certa deles e para eles.

Ora, mas se a coisa certa a fazer é mesmo a que fazem, porque será que só eles vêem assim? Um homem sábio disse uma vez que a verdade uma vez dita não volta para olhar se foi justificada.

Lembro-me de ter repetido diversas vezes os motivos que me levavam a discordar, reclamar e, algumas vezes, até a me exasperar com o dito senhor. Lembro-me de ter tentado várias vezes manter a paz, a negociação amigável, a tranquilidade na conversa e mesmo assim ter visto o dito cujo jogar todo o tempo no lixo e desfazer de tudo que até ali havia sido construído! Lembro-me de todas as tentativas de conciliação. Lembro-me de todas as vezes que mostrei e provei por 'A + B' o que aquela constante situação nos levaria. Lembro-me de todas as vezes que o tal senhor me deu razão, pediu desculpas e disse que resolveríamos o caso sem maiores problemas ou desgastes. E Lembro-me de todas as vezes que ele mesmo desfez todas as suas palavras e deu coices em toda a razão e todo o sentimento posto! Lembro-me de todas as vezes que mesmo enfadada com a situação desculpei, relevei... Esqueci.

Mas a coisa insana é ver como a deturpação dos fatos vem.

Pessoas assim ficam como serpentes, a postos, espertas, esperando o momento do bote.

Inflamam você a ira, até que você (no caso eu) explode, pois está humanamente já sem forças pra suportar a loucura de uma mente que simplesmente só vê o que quer, não mede as palavras, não sente pelo outro e só realmente se importa consigo mesmo e com seu próprio interesse (geralmente pequenas e ignóbeis posses). 

Daí em diante tudo gira em torno do deslize de quem suportou até o limite, de quem tentou, em vão, ser gentil e aguentar aquilo que não deveria ser suportado. Pronto: Prato feito aos esquecidos!

Não lembram mais de nada antes daquele fato e, pior, falam e espalham aos ventos do sul a história como bem lhe apraz. 

Daí, vem os adoradores de esquecidos (em geral também esquecidos e ignóbeis), cantando hinos de fraternidade e ajuda, quando a única coisa que sabem é o lado torto, turvo e surdo de uma mente igualmente torta, turva e insana e que nunca entendeu nem o amor a si mesmo, quanto mais ao próximo!

Digo eu no texto que "Quando a consciência nos acusa, o interesse ordinariamente nos defende" (Marquês de Maricá) e minha sábia mãe sempre me disse: Não jogue pérolas aos porcos, pois eles não darão o valor que elas têm!

Deve ser uma maldição lembrar. Num país em que vota-se em políticos comprovadamente ladrões, em ladrões que se tornaram políticos, em mentirosos confessos e toda a corja que um dia foi rival e defendeu interesses diferentes hoje sendo amigos e aliados, sim... Deve ser uma maldição lembrar. Pois ao que parece o normal é esquecer! Mentir, ludibriar, roubar, furtar, enganar e matar a verdade!

Sendo assim, assumo a minha culpa e a minha maldição de lembrar e lembrar  não só o que me beneficia, mas lembrar de tudo que mostra exatamente a feiura e a maldade das mentes esquecidas de pessoas distorcidas pelo 'direito' (que acham que tem) de ter alguma razão na vida... mesmo que essa razão seja a de pisar na verdade, de tripudiar no sentimento social, fraternal e humano e de provar que só assim seres mediocres podem ter alguma admiração alheia.

Que o esquecimento da verdade seja o tesouro dessas pessoas... Mas que jamais contem comigo para aliviar suas consciências nebulosas, quando o sol da verdade aparecer! E ele sempre aparece, porque mentira tem perna curta, até mesmo as que essas pessoas repetem a si mesmas na esperança que se tornem verdades!

E aos que leem essa ponderação não se enganem, não há raiva, não dor, não há nem o sentimento de perda naquilo que fui lesada: meu tempo, minha palavra, minha arte e minha amizade... Só há um profundo sentimento de pena e um desejo profundo que essas pessoas se libertem da única lembrança que eles não conseguem esquecer: EU!

E aviso: Já sou livre, pois não perco minha alma por tão pouca maldade, não carrego peso morto, nem pedras, nem mentiras!


copyright©caualexandre20112