30 Dezembro, 2009

Desejos...


DESIDERATA

Por Cau Alexandre

Desejo que a cada novo ano sejamos mais humanos.
E na arte de humanos ser, que nunca percamos a capacidade de sonhar!
E sonhando, jamais esqueçamos a importância de desejar!
E desejando, não percamos o rumo da busca.
E buscando, não paremos de olhar para o que realmente importa.
E olhando, que possamos ver aquilo que faz a vida valer a pena:

A beleza da flor que nasce espontaneamente no caminho;
Os pássaros cantando na copas de árvores esquecidas;
As frutas que gratuitamente nos ofertam vida;
As nuvens que juntas nos presenteiam com a sombra;
O sol que silenciosamente nos aquece a alma;
A chuva que refresca o corpo;
O corpo que nos garante o caminhar!

Desejo que sendo mais humanos aprendamos a ser mais benignos.
E na benignidade sejamos bondosos não só com os outros,
Mas também com nós mesmos.
E sendo bondosos nos permitamos sonhar o impossível,
E assim, sejamos capazes de buscar estrelas
Dentro dos olhos felizes de quem nos sorri.
E buscando estrelas não nos ceguemos pela obstinação.
E vendo claramente, que possamos sorri de volta.
E sorrindo, recordemos tudo que nos faz feliz:

As mãos que nos afagam com genuíno cuidado.
A boca que nos beija com legítimo amor.
O amigo simples e perene.
A simplicidade abundante que satisfaz a alma.
A fé incansável que alimenta o espírito.

Desejo que sejamos mais humanos.
E então fujamos da autopiedade e da passividade mórbida.
E dando um brado de liberdade de nós mesmos.
Que descortinemos nossos próprios erros,
E enxergando nossas imperfeições, sejamos capazes de perdoar:
A nós, sem autoflagelação e aos outros, sem sarcasmo.
E perdoando, fujamos dos discursos vazios de fraternidade vazia e falso amor.
E fugindo, que achemos a companhia dos amigos verdadeiros,
E encontremos o renovo do sentimento
E renovados que demos as mãos num abraço de almas irmãs.

Desejo a você mais humanidade.
A mesma que arde feito chama dentro do seu próprio peito.
A mesma humanidade que nos faz falhos, imperfeitos e únicos.
E dentro desta assustadora perspectiva,
Banhados em lágrimas salgadas de dor e alegria.
Que tomemos a decisão de desejar, buscar, crer, lembrar, ver,
E amar sem limites, sem fronteiras, sem barreiras.
Amar com intensidade, calor e veemência.
Amar, simplesmente amar.
Sem as lembranças que magoam,
Sem as imagens que ferem.


Ser humano é ser capaz de superar-se, acima de tudo!
E ser capaz de amar!

07 Setembro, 2009

Das lembranças, livros e faroeste!

Por Cau Alexandre


Algumas das minhas estranhas habilidades é a de lembrar de algumas histórias bem antigas e ser capaz de esquecer detalhes recentes com muita facilidade (principalmente nomes e números).

Talvez as lembranças, em mim, sejam como vinho e precisem depurar-se por um tempo e só então depositam-se num lugar tranquilo da memória, ao alcance dos olhos da alma... Prontas para serem deslumbradas e ensinarem ou simplesmente mostrarem algo bom de ser lembrado! Uma lapidação que não lhes tira a verdade, mas lhes dá o brilho necessário!

Uma dessas lembranças tem a forma de um livrinho de bolso. Lembro do meu pai carregando aquele livrinho, como o nome já dizia, um exemplar de bolso. Aonde quer que ele fosse, ali estava o livrinho. Não o mesmo, mas ele sempre tinha um no bolso!

Desde que eu era muito pequena via aqueles livrinhos na escrivaninha do meu pai, junto as suas canetas, seus blocos de notas, suas pequenas ferramentas com as quais ele brincava de relojoeiro (e eu adorava mexer naquelas chavinhas de fenda, alicates miudinhos e talvez daí venha essa minha mania de brincar de artesã, não só de palavras).

Os livrinhos eram uma constante. Eu não entendia porque eles nunca eram os mesmos. Mal sabia eu, nos meus primeiros anos de estudante letrada, "doutora do ABC" e parca leitora que livros são preciosidades e que têm valor de próprio de venda e troca. Trocando em miúdos... Sebos, amigos, trocas. Anos depois fui com meu pai a uma banca de revista conhecida no centro da cidade, na qual ele comprava e trocava os livrinhos.

Meu pai devorava aqueles livros. Nas suas horas de folga, nos seus intervalos de trabalho, nos momentos que antecediam seus famosos cochilos antes do jantar, lá estava ele e seu livrinho.

Depois de um tempo eu olhava aquelas letras esquisitas com aqueles nomes também meio esquisitos e sem me importar muito com o que significaria aquele tal de "western", seguia com minhas bonecas, suas roupinhas e minhas preciosas mobílias de brinquedo.

Não lembro muito bem, mas um dia, na minha incansável busca por tesourinhas que cortassem as roupinhas de papel das minhas mais novas 'filhinhas' feitas de papel e papelão, achei um daqueles livrinhos do meu pai. Ele havia esquecido dentro da primeira gaveta da escrivaninha.

Sentei-me lá. Olhei aquela capa, o homem de cara feia nela, suas armas o lenço no pescoço. Montado em um cavalo, eu acho. Homem estranho, zangado. Como é que meu pai que era tão bonzinho comigo poderia gostar de ler o livro daquele homem tão zangado?

Um livrinho sem graça. Muitas letrinhas e poucas figuras. Quase nenhuma e todas em preto e branco (por assim dizer, pois as páginas eram amareladas... um papel diferente do que eram feitos meus livros que eu lia na escola). Realmente um livro sem graça pra uma criança pequena.

Muitos anos depois, como caçula, herdei muitas coisas de meu pai. Material e geneticamente. Herdei suas 'ferramentinhas' que já não arrumavam relógios, mas pequenas bijus... Coisa mais tipicamente femininas. Herdei suas xícaras preferidas. Herdei algumas de suas fotos (a maioria minha mãe sequer me permite saber onde estão... São o tesouro particular dela). Herdei seu gosto pela imagem e pela fotografia, explico, por fotografar, mas confesso que continuo sem jeito e não-fotogênica e sem paciência pra ser modelo de qualquer fotógrafo (o que sempre foi tristeza para o meu pai fotógrafo-amador). Herdei o prazer por viajar... Prazer que o acompanhou até seus últimos dias de vida. Herdei um prazer imenso pela escrita... ele por números, escalas e engenhos... e eu pela palavra engenhosamente artística. Herdei a persistência (às vezes teimosia). Herdei o gosto pela leitura, que só se manifestou em sua força maior lá pela adolescência, como refúgio e depois como prazer. Uma pena que no espólio não havia nenhum livrinho daqueles. Na hora nem me dei conta... Hoje lamento!

Pensando na minha vida literária, percebo que meu primeiro romance denso e volumoso veio em tempo tardio, aos 13 (tardio pra 20 anos atrás... hoje é um milagre fazer um adolescente ler algo - e que bom que eu ainda sei fazer esse milagre com alguns adolescentes). Mas antes, minha vida esteve povoada com os heróis dos gibis, ao gosto das crianças como a Mônica, o Chico Bento e Penadinho - que eu adorava; Wolverine, Homem-Aranha e tantos outros Marvel, DC e muitos mais. E minha mãe me perguntava como eu podia gostar daqueles "homens feios de máscara". Eu não sabia. Sempre atribui esse gosto esdrúxulo dos quadrinhos ao convívio com meus irmãos homens. O que também me rendeu um maior entendimento literário com o gosto literário dos amigos homens da escola, da rua, do curso. Mas agora percebo que foi bem antes disso...

Em meio a tantas lembranças, estou eu lá, olhando o livrinho sem graça na gaveta da escrivaninha do meu pai. E só hoje me dou conta que minha primeira paixão-infantil-literária foi por John Wayne!




Mais uma xícara de café, e mais algumas boas lembraças...

25 Agosto, 2009

Só Pra Dizer!!!

Por Cau Alexandre



Já dizia minha mãe que quando a vida fecha uma porta, Deus nos abre uma janela! Eu particularmente acho que Ele abre os portões... mas é que sou mesmo exagerada.

Usando o mesmo 'mote' aqui e no Mar®, pra contar pra vocês que daqui um tempo teremos uma grata surpresa. Um Livro!!! Sim senhores!!! Um Livro!!! Ou seria mais que isso??? (tcham tcham tcham tchammmmmmmmm).

Não é idéia nova, mas precisei achar minha outra alma literária pra realizar o sonho antigo (livro feito pra cumprir trabalho de faculdade não vale, né?).

A minha outra Alma Literária (olha ela aqui) e eu desenvolvemos um projeto, em cima de sonhos em conjunto e hoje ele já tem título, corpo, som, prefácio, cores e gravuras e pasmem... (quase) patrocínio. É "um livro pra ver, ler, ouvir e sentir!".

Fomos devidamente habilitadas a receber patrocínio do Banco do Nordeste (mérito da Je, que me surpreende a cada dia como mulher persistente e que não se deixa desanimar).

O que isso significa? Bem, significa que conseguimos ter um projeto melhor que outros lá apresentados e que agora só nos falta preencher os requisitos burocráticos do 'negócio'!.

Em breve sabermos o resultado final... e aí é mãos à obra!!! E que obra!!!! Aos poucos vou informando vocês do que é o projeto e de como ele está ficando (se Deus quiser!).

E, retomando o mote, eu digo...

Às vezes, as coisas nos acontecem e nos pegam desapercebidos para as punhaladas da vida e nós perguntamos: Mas por quê????

Hoje já não me questiono o porquê de certas coisas ou o 'ser' de certas pessoas. Hoje vejo que pra algumas perdas inevitavelmente dolorosas, mas que já eram esperadas ou previsiveis, ou até mesmo das imprevisíveis (que são mesmo raras... pensando no estado inerte das pessoas que são sempre as mesmas, mesmo que o tempo passe... mesmo que a história tenda a ser diferente - mas não é)... mesmo assim, sempre há algo de muito bom esperando por nós na janela aberta, como uma esperança de que a vida é bem mais que essas pequenas decepções!

Estamos felizes... mas o mais importante é que SOMOS felizes com o que somos e o que temos! E eu tenho agora mais um motivo!!!

Ah! Ia esquecendo... já contei a vocês o nome do livro? Não? Ele se chama: Ao pé da nossa janela! Porquê? Porque são nessas janelas que, por vezes, dividimos nossos conhecimentos, nossas dores, nossas alegrias, e se tivermos sorte, são também nesses janelas que abrimos os olhos pro mundo e percebemos o quanto temos de bom... de certo... de magnífico ao nosso redor... bem ao nosso redor!

Pra vocês irem se inteirando do que estamos "aprontando", criamos uma página para o Projeto (mais a Minha Alma que eu... Ela merece todo o crédito nisso... risoss) . Chama "Na Janela". Apareçam por lá!

Agora, abrir aqui minha janela... e tomar mais um Café®... sentindo essa Brisa® que vem do Mar®.





Zélia Duncan - Janelas Abertas

23 Agosto, 2009

Segredos...


Imagem - Google/ Arte by Cau Alexandre

10 Agosto, 2009

Esquecimento Providencial!

Por Cau Alexandre

"Quem nunca ouviu falar de memória de elefante? Conta-se que um alfaiate indiano enfiou uma agulha na tromba de um elefante e, anos mais tarde, quando o animal reencontrou o alfaiate, encheu a tromba d'água e despejou sobre o homem, prova de sua boa memória."

Um ponto fundamental do relacionamento humano reside principalmente no âmbito da memória!

É na memória que guardamos aquilo que nos parece importante e é dela que excluímos aquilo que nos parece desnecessário e enterramos no fundo do subconsciente aquilo que não sabemos lidar. Mecanismos de defesa, memória seletiva, recente ou de longo termo... mas o que nos traz aqui, a esse momento?

Digamos que pouco a pouco estamos relativizando tudo. Nada mais é absoluto, nem o certo, nem o errado, nem a verdade e muito menos a memória!

Nós, todos, procuramos dia a dia meios de guardar na memória apenas aquilo que nos é favorável! Aquilo que nos faz bem, aquilo que nos agrada e faz de nós aquilo que queremos ser! Todas as outras memórias, e geralmente essas são as que se referem aos “outros” tornam-se turvas, distorcidas... Relativas. Não é difícil de ouvir-nos dizendo: Depende do ponto-de-vista!

Mas e quando todos olham apenas do seu próprio ponto-de-vista? Quando sequer paramos para pensar nas conseqüências de nossas ações e distorcemos o que um dia foi a verdade? O simples fato de achar que não há nada de errado no que foi feito não quer dizer que não há! O fato de que para cada um de nós existir uma certa prioridade de ações, não faz dessas ações portadoras de verdade só porque são suas ou minhas.

Mas o fato é que nossa memória joga o nosso “jogo”. Só vemos o que queremos ver? E isso justifica qualquer coisa? Você está sempre errado porque não vê como eu vejo? Eu estou permanentemente errada porque não compactuo do seu modo de pensar? Isso faz do que é certo algo certo só pra você ou certo só pra mim?

Relativizar a verdade, o certo e o errado é muito perigoso. Um dia percebemos que nossas ações, memórias e tudo mais estão impregnadas apenas das nossas vontades, das nossas verdades, do nosso querer e nos tornamos bichos que vivem para justificar a insana sede de realização pessoal.

Algumas pessoas esquecem muito rapidamente o valor das ações cometidas, tendendo a valorizar somente o momento de agora, 'o jato de água da tromba do elefante'. Mas será que lembram do motivo? Será que diferente do elefante, essas pessoas não estão sendo 'alfaiates' demais?

Nossas ações costumam ter peso coletivo. Não somos ilhas... não somos sozinhos... e mesmo não vivendo em função dos outros, não devemos achar que apenas palavras como "sinto muito" e "não queria ter feito, mas fiz mesmo assim" irão amenizar o erro cometido, o desvalor e a dor causada.

É muito fácil a alguém que olha apenas o próprio umbigo achar-se condoída e dolorida quando tem em frente a si uma verdade que não queria ver, um fato que não queria trazer na memória, e mais fácil ainda levantar armas e gritar por justiça, elevando suas nobres características de injustiçado e esquecendo-se de que foi a sua mão que atirou a primeira pedra em nome do “se eu não cuidar de mim quem cuidará?”.

Nem todos os que gritam por justiça e se dizem justos e ilibados o são... alguns apenas enterraram no fundo da memória o verdadeiro conceito de verdade, de lealdade, de companheirismo, de amizade, de prioridades, de certo e de errado. O mundo não seria um lugar melhor se todos engolissem suas dores e abrissem sorrisos sem brilho, máscaras de bem-estar para corações vazios. O mundo seria um lugar justo se as pessoas pensassem mais nas conseqüências de seus atos... De suas palavras, de suas ações que sempre trarão uma reação.

Não estou dizendo que seja mais ou menos justo ou certo o revide. Na verdade, o certo, verdadeiro e imutável seria o perdão. Mas não somos bons o suficiente pra pensar no que fazemos, quem dirá em sermos capazes de perdoar assim, rapidamente. E nisso falo por mim! Sei que como participante do contexto relativizador, há a necessidade de refletir cada caso, cada situação, cada momento... Não muda a verdade, mas dá tempo de procurar brechas legais para justificar ações que, no mínimo, deviam ser vista como erradas, já que o são e mesmo assim foram realizadas. É fato... Fez, suporta a conseqüência...

Você faz isso? Sim! Eu faço? Sim! Porque não importa quanto evoluamos, ainda somos egoístas o suficiente pra só pensarmos em nosso pesar. Buscamos uma justiça capenga, que nos considere desculpáveis e bonzinhos só porque temos problemas, só porque sofremos, só porque nos achamos bons! Isso nunca fez de ninguém bom! Achamos que o simples fato de não irmos lá no causador da nossa dor e dizermos tudo o que nos pesa faz de nós pessoas melhores. Mas não faz! Na grande e esmagadora maioria das vezes, isso faz de nós somente covardes. Devemos ir? Talvez não... Mas talvez não devamos fazer disso uma bandeira de nosso caráter... porque um caráter pautado na justificativa do erro não é caráter, é desculpa!

Caráter é demonstrado, não dito... Dizemos sim, em atos, atitudes. É difícil pensar que a mão que arremessou o bumerangue que agora nos atinge foi a nossa. Queremos que alguém dê fim naquele objeto... mas ele nos lembra que tudo aquilo que você plantar, você vai colher, mesmo que você não queira, ou que você ache que não mereça.

Quando o coração sossega, e tentamos lembrar do tipo de "alfinete" que enfiamos no elefante, passamos a perceber que poderíamos evitar o constrangimento de hoje. Que o jorro de água era tão evitável, quanto a necessidade de ferir só pra ter satisfação pessoal. Que existem formas diversas de termos o que queremos, sem necessariamente termos que abrir mão do que é verdadeiro DE VERDADE (e não do que só eu acho que é verdadeiro porque traz vantagem pra mim!).

Talvez se pesássemos melhor aquilo que plantamos e ponderássemos mais friamente, pudéssemos achar um melhor caminho que não nos afastasse das pessoas, do certo a fazer, do que é verdade além de mim e de você. Mas por que fazer isso se queremos satisfação pessoal imediata? Diz um ditado que “é mais fácil pedir desculpas que pedir permissão”. Uma pena que desculpas não cubram todos os erros e perdas. Uma pena que alguns só sintam as dores quando elas os atingem, uma pena que só se clame por justiça quando o seu pequeno ‘mundinho’ é ameaçado pela dura verdade que não passa a mão pela sua cabeça e diz: “Tudo bem, você fez o que é melhor pra você. Que o resto se dane!”

Ações e reações deviam ser melhores pensadas, pois depois da primeira alfinetada fica difícil puxar da memória de quem foi a decisão inicial. Isso é um exercício para aqueles que aprenderam que não importa de quem é a visão pessoal... verdade e justiça nunca serão minhas ou suas... serão as mesmas sempre.

E eu, que sou falha e ainda estou aprendendo a lidar com pessoas e suas ações, com minhas escolhas e meus caminhos, com meus próprios erros e minhas decisões, só posso assegurar que, embora e indubitavelmente ainda não tenha a grandeza de virar o rosto e dar o outro lado para o outro tapa, tenho a consciência tranqüila de que antes de levantar a primeira pedra que fere, de cometer a ação que traz o constrangimento do ‘jorro de água’ que certamente respingaria em mim, antes de ferir aqueles a quem eu digo amar, pensaria muito ANTES nas conseqüências e nas perdas para depois não estar por aí, gritando por uma honra e uma justiça a qual eu não teria direito... Querendo um atestado de caráter ao qual eu não tivesse real direito! Querer louros por meus erros cometidos, só porque sou capaz de assumi-los é o mesmo que querer beatificar o algoz que maltrata o inocente.

Não revidar é a melhor opção sempre... Uma pena que seja para aqueles que nasceram para a santidade... Não levantar as armas diante de quem o fere é uma sábia decisão, principalmente quando você sabe que merece cada ferida! Aprender isso sem querer parecer mártir e sem tentar calar da memória os próprios erros que lhe fizeram chegar até aquele momento é algo que a humanidade ainda não aprendeu!

"Quando a consciência nos acusa,
o interesse ordinariamente nos defende"
Marquês de Maricá

Hoje o café está fraco e frio... não é o ideal pra dividir. Esperemos outros melhores!

06 Agosto, 2009

Dos Hábitos Que Não Deveríamos Ter!

Por Cau Alexandre


Algumas vezes procuramos estratégias para melhor realizar certas ações, principalmente as mais rotineiras. Nessas estratégias acabamos por criar mecanismos que nos tornam capazes de realizar a dita ação mais facilmente, porque achamos o 'famoso' jeitinho pessoal. Então as coisas fluem. Você escova os dentes todos os dias e nem sente mais. Você prepara seu prato preferido do jeito que você gosta e não como estava na receita, por isso ele se torna seu prato preferido! Prepara sua mala, faz o seu café, até caminha na rua com o sorriso 'preparado' pra encontrar os conhecidos e perguntar retoricamente 'tudo bem?' (é bem verdade que já nem se ouve essa pergunta... muito menos se espera a resposta). Tudo então se torna um hábito. Aprendemos isso desde o dia que nascemos. Fome? Desconforto? Choro... Daqui a pouco o choro não é só pela necessidade, mas pela manha... por saber que é uma ótima estratégia! Hábito! Como dizem alguns, nos habituamos a tudo!

O fato interessante e controverso disso é que alguns de nós nunca se habituam àquilo que fere, com dores profundas, com decepções intensas. Hoje já não posso dizer se muitos ou poucos não se habituam a isso, já que o verdadeiro hábito da humanidade é direcionado ao instinto de preservação que a impele a sentir e reclamar se aquilo que sucede estiver diretamente ligado a si mesmo. Se for ao vizinho próximo, ao amigo mais chegado, talvez!!!! Aos demais seres da humanidade? Jamais! Como não interfere na sua própria e tão grande 'umbiguista' existência, então não há o que sentir! Meu caro leitor, eu disse alguma mentira, alguma calúnia contra o tão inefável amor ao próximo da humanidade? Acho que não...

Não me entendam mal. Não há nada de errado em pensar em si mesmo... no próprio bem-estar e em estratégias de não estar em sofrimento... Como disse isso faz parte do instinto de preservação. A pergunta é: A que preço? Qualquer ação, qualquer decisão, qualquer dor infligida, qualquer desconsideração, qualquer deslealdade, qualquer omissão é justificada em nome da preservação própria? Vale tudo desde que eu fique bem? Desde que o meu 'eu' esteja bem? Perdemos os valores morais que diziam que há o limite do respeito pelo sentir alheio? Não que se viva em função do outro, não que se entregue a dádiva e a responsabilidade da felicidade pessoal a outro, pois são realmente dádivas e realizações pessoais. Acabou-se a lealdade ou passamos a ser leais somente a nós mesmos?

Vivemos dias em que o "Foda-se" não é mais um grito exausto depois das tentativas de fazer o certo. É a frase de cabeceira!!!!

Que me perdoem àqueles que pensam na preservação própria acima de qualquer coisa, eu não consigo me habituar a isso. Já tentei... Liguei o botão "foda-se" e disse... "daqui em diante só vou me interessar pelo meu próprio bem-estar". Desisti no final da frase. Por quê? Por que sou boazinha? Por que minhas qualidades são maiores ou melhores? Que nada... Eu sou tão egoísta e ruim quanto qualquer ser humano. Mas não me permito pensar em viver em mundo sem um mínimo de lealdade, de integridade, de amor ao próximo que não seja aquele que me paparica... Já que amor aos que estão realmente próximos e aos nossos bajuladores é inevitávelmente fácil! Difícil e realmente complicado e ainda ter respeito pela dor alheia, independente que seja alguém de perto ou de longe, amigo ou não!

Nossos dias são tão tortuosos, que realmente já me envergonho de não me habituar a ser escusa, mentirosa e desleal com o sentimento alheio. Estou profundamente envergonhada da minha incapacidade em ignorar o sentimento do outro e passar com o meu trator de ego sobre qualquer sentimento que não seja o meu ou que não faça parte do meu plano pessoal de total realização (é, algumas vezes, nós humanos também fazemos de conta que nos importamos porque faz parte da estratégia para conseguirmos realizar nossa vontade).

Então, estou aqui. Completamente envergonhada por não conseguir anestesiar meu sentimento coletivo. Por não conseguir calar minha dignidade. E peço perdão por ser assim tão inadequada... Não consigo mesmo criar esses hábitos!

Quem saber algum psicólogo, psicanalistas, sociólogo, médico ou filósofo amigo, ou aqueles que por um acaso tenham recaído os olhos aqui nessa infeliz crônica... Qualquer um que saiba, me ajude: O que há errado comigo? Porque eu não consigo calar essa dor que me vem a cada deslealdade, a cada insensibilidade, a cada morte de todos os sentimentos que um dia foram considerados bons?

Acho que alguns de nós não são normais. Alguns de nós não aprenderam a lidar com o mundo cão que se levantou ao nosso redor. Alguns de nós simplesmente não conseguem deixar de se importar... não só com o próximo, mas com qualquer um.

Falando nisso, é também a morte um fato que muito de nós não se acostuma. Mas como disse lá no início, talvez seja uma estratégia... uma estratégia da vida...

A morte, talvez, seja o único acontecimento a que ninguém se habitua. Seja pero ou longe. Seja de conhecidos ou de ilustres desconhecidos. Sejam muitos, ou poucos (se bem que já haja quem diga: Ah! menos mal... só morreu um????). A morte não é algo fácil de se habituar. O fato em si talvez... a idéia da perda permanente não!

Por que seria uma estratégia da vida? Porque talvez assim, diante da morte, da perda irremediável possamos lembrar que fomos feitos pra sentir mais que autopiedade. Talvez lembremos que o tal mandamento daquele "cara" que a maioria nem lembra mais quem é, não é: Ame a si mesmo, e sim, ame o outro como você ama a si mesmo! - A propósito, o nome dele era Jesus... e precisou morrer pra ver se atingia o coração endurecido de alguns!

Uma pena que só após a morte, física ou não, é que percebemos o quanto se perdeu, o erro cometido ou a escolha imprópria. Mas a morte, física ou do sentimento, costuma ser definitiva. O que é uma pena... Uma dor... o luto! é uma boa estratégia... Infelizmente, pra alguns de nós cujos sentimentos estão sempre 'à flor dos nervos', até nisso há uma dor necessária, que precisa de outra boa estratégia para que se consigo continuar: O Tempo!

E aqui, completamente inadequada pra essas pessoas que aprenderam a se preocuparem somente consigo, altamente inapropriada para ser companhia de quem tem por hábito simplesmente não sentir nada que vá além de um egoísta amor próprio, terminantemente estranha à esse mundo umbiguista, eu, deslocada, terrivelmente falha e humana, termino essa crônica em luto!

Parte do que sinto e divido aqui nessas linhas certamente tem a ver com as dores que me foram impostas... deve ser uma luz do egoísmo comum a todos aflorando em mim... quem sabe haja esperança para que eu ao menos ganhe uma marquinha ou uma máscara para poder conviver entre os ditos normais. Talvez seja só indignação contra mim mesma de em meio a tudo que se passa ainda pensar na dor alheia ao invés de só na minha, como é o "habitual". Quem sabe eu não tenha mesmo jeito?! Enfim...

Aqui jaz a certeza, no mesmo solo batido onde floresce o botão tímido da esperança! Esperança de que tenha sobrado mais uns deslocados, inapropriados e mal vistos seres realmente humanos.


Então... mais uma xícara de café...

17 Junho, 2009

Para Comemorar!




Dia de festa! Nenhum motivo realmente extraordinário... apenas e somente mais um ano dessa fantástica vida que eu ganhei de presente um dia!

Era quarta-feira, quase 18h. Depois de muitas dores e de uma extrema negativa minha em querer abandonar o útero quentinha da minha mãe, timidamente vim para a luz!

Morena, de delicados cabelos castanhos e olhos vivos. Absolutamente chorona (não poderia ser um bom sinal, não é? Permaneço até hoje assim - a salvo a cor dos cabelos).

Mãos delicadas, pés rápidos que segundo minha mãe não sossegavam no seu ventre. Inquietação certa, mas de afago constante.

Nome indeciso... Cristina... Cristiane... Cláudia, para fazer um parzinho! Engraçado mesmo é a sensação de ser única que até hoje me persegue... em vão foi a intenção da minha irmã, segunda mãe, de criar conjuntinhos.

Mãe ansiosa, suplicante, penitente e em promessa... feliz! Pai orgulhoso, viril, idoso... vencedor, regozijante! Irmãos desconfiados... o que fazer com aquela coisinha tão fora de hora?

Mas eu vim! Era noite... e até aqui a certeza que eu continuo, mesmo quando pra todos o dia acaba!

Agora... Bolo e Café! E um bom papo... que não há cristão que aguente festejar pra sempre!